O sentido da visão permite que observemos o mundo em nossa volta, representando grande parte das informações externas que chegam ao nosso cérebro. Problemas na visão podem comprometer a comunicação e a percepção das pessoas. Por isso, é preciso cuidar da saúde ocular ao longo de toda a vida.

Mesmo as doenças oculares silenciosas, que não apresentam sintomas inicialmente, têm o potencial de prejudicar os olhos e até causar perda da visão. Entre elas, destaca-se o glaucoma, principal causa de cegueira irreversível no mundo.

No texto de hoje falaremos mais sobre esta doença e os procedimentos de cirurgia de glaucoma. Acompanhe!

Glaucoma

Denomina-se glaucoma o conjunto de doenças oculares que atingem o nervo óptico e apresentam quadro clínico semelhante. O principal fator de risco para o surgimento da doença é o aumento da pressão intraocular. Esta alteração é responsável por lesionar o nervo óptico, causar endurecimento do globo ocular e diminuir a acuidade visual.

Além disso, as principais características que costumam surgir em todo tipo de glaucoma são aumento da escavação e atrofia do nervo óptico e a perda de visão periférica.

Os principais tipos de glaucoma são:

  1. congênito: presente no nascimento, surge devido ao desenvolvimento defeituoso do sistema ocular;
  2. agudo ou de ângulo fechado: originado pelo fechamento das vias de eliminação do humor aquoso (líquido do olho), causando dor súbita e diminuição brusca da visão;
  3. tensão normal: dano do nervo óptico em pessoa que tem a pressão intraocular normal;
  4. primário de ângulo aberto: forma mais comum de glaucoma, que se desenvolve lentamente com o aumento da pressão intraocular, porém sem uma mudança anatômica;
  5. secundário: surge devido a outros problemas no olho (trauma ocular, diabetes, catarata).

Causas

Como citamos, a principal causa do glaucoma é o aumento da pressão intraocular. O nível desta pressão é determinado pelo equilíbrio entre a produção e o escoamento do humor aquoso. Algum defeito neste processo pode causar o acúmulo do líquido e, consequentemente, o aumento da pressão.

Existem diversas hipóteses de quais são estes defeitos e porque eles surgem, mas ainda sem uma base forte. Porém, já foram listados e comprovados os fatores de risco para o surgimento da doença, que incluem:

Sintomas

Inicialmente, o glaucoma é uma doença assintomática, pois costuma ter um desenvolvimento lento. As percepções de comprometimento visual surgem nas fases mais avançadas da doença, o que compromete e dificulta o diagnóstico.

Os sintomas visuais incluem:

  • visão tubular (perda da visão periférica);
  • dor no interior do olho;
  • visão turva e embaçada;
  • dificuldade para enxergar no escuro;
  • sensibilidade à luz.

Diagnóstico

A doença é diagnosticada baseada no histórico familiar, nos sintomas e nos exames oftalmológicos, que incluem:

  • tonometria de aplanção: exame que mede a pressão intraocular;
  • oftalmoscopia: exame que avalia o fundo do olho e o nervo óptico;
  • campimetria: exame que avalia se há perda do campo visual;
  • gonioscopia: exame que comprova o tipo de glaucoma (ângulo aberto ou fechado) quando há suspeita da doença.
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Tratamento

O diagnóstico precoce permite mais possibilidades de tratamento e melhor prognóstico. Considera-se que não existe cura para a doença, pois não é possível reverter os danos que já foram causados ao nervo. O tratamento tem o objetivo de preservar a visão e o campo visual que a pessoa ainda possui no momento do diagnóstico.

O acompanhamento por especialista médico é essencial para garantir um diagnóstico preciso e um tratamento de qualidade. A consulta periódica com o oftalmologista é a principal forma de prevenção dos agravos.

Nas fases iniciais e nos casos mais leves, o glaucoma pode ser controlado com o uso de colírios com medicação hipotensora (diminui a pressão). Em casos mais graves, é indicada a cirurgia de glaucoma, que pode ser feita por diferentes procedimentos para diminuir a pressão intraocular.

Cirurgia de glaucoma

Trabeculectomia (TREC)

A trabeculectomia é a cirurgia mais comum para o glaucoma. O procedimento consiste na abertura de um pequeno orifício que facilitará a drenagem do fluido do olhoO líquido é drenado para um novo espaço na parte superior do olho, para uma “bolsa” que é criada durante a cirurgia. Dessa forma, ele não se acumula no interior do olho e a pressão intraocular diminui.

A cirurgia é feita com anestesia local na sala de cirurgia e dura em média 40 ou 50 minutos. O procedimento é indicado para pacientes que já estão em fases mais avançadas da doença ou que não obtiveram sucesso no tratamento farmacológico e procedimentos a laser.

Trabeculoplastia a laser

Na trabeculoplastia a laser, o laser de argônio é aplicado na área que se encontra obstruída e impede a passagem do humor aquoso. As marcas causadas pelo laser sofrem cicatrização e abrem o ângulo para a saída e escoamento do líquido. O aumento da drenagem leva à diminuição da pressão local.

O procedimento costuma causar a inflamação da câmara anterior do olho e os resultados podem demorar de 1 a 3 meses para serem percebidos.

O tratamento a laser costuma ser utilizado em pacientes que não toleram a medicação ou quando as mesmas já não são mais sufientes. Possui menos efeitos colaterais que a cirurgia de trabeculectomia.

Implante de tubos de drenagem

O implante de tubos de drenagem é uma alternativa de tratamento para os pacientes que não obtiveram bons resultados com a trabeculectomia ou com os procedimentos a laser.

Neste caso, a cirurgia consiste na implantação de um tubo no olho para a drenagem de líquido. O tubo conecta a área mais interna do olho com uma área mais externa, onde o líquido será “despejado” e depois reabsorvido. A saída de líquido é controlada por uma válvula que fica no interior do tubo, que funciona como um mecanismo de drenagem eficaz, diminuindo a pressão intraocular.

Apesar de não possuir cura, o diagnóstico e tratamento precoces do glaucoma previnem o aumento de danos oculares e diminuem as chances de cegueira.
Por isso a visita regular ao oftalmologista é tão importante.

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Ricardo Filippo
Oftalmologista
Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Durante sua vida acadêmica, participou de dezenas de congressos e simpósios, no Brasil e no exterior, e ministrou diversas aulas sobre Oftalmologia. Para mais informações sobre sua experiência na área,
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