A Síndrome de Irlen, mais conhecida por sua sigla SI, é hereditária e ainda pouco conhecida no Brasil. Ainda assim, estima-se que o problema afete entre 12% e 14% da população de todas as idades. A condição foi descrita há cerca de quatro décadas pela psicóloga norte-americana Helen Irlen.

A síndrome, que causa grande estresse visual, é uma disfunção em que o cérebro apresenta dificuldade em processar as informações captadas pelos olhos. Ela é ocasionada por um desequilíbrio da capacidade de adaptação à luz, prejudicando a leitura.

Acompanhe o texto que preparamos especialmente para você que se preocupa com a saúde de seus familiares, quer aprender tudo sobre a síndrome para descobrir se um familiar seu acometido por ceratocone também possui a condição — que apresenta pelo menos um sintoma em comum, a fotofobia.

Veja agora mesmo nosso vídeo exclusivo sobre a Síndrome de Irlen:

Conheça os tipos de Síndrome de Irlen

Os tipos da Síndrome de Irlen foram determinados com base nos sintomas. Mas uma pessoa pode ter apenas um tipo, vários ou todos eles. Conheça as características de cada um:

  • acomodação: páginas brancas se tornam brilhantes e parecem competir com o texto impresso, anulando-as;
  • fotofobia: Intolerância à luz causando ofuscamento e cansaço sensorial. Isso gera ansiedade, esgotamento físico, além de déficit de atenção e de concentração;
  • distorções: números, letras, palavras ou notas musicais parecem instáveis e perdem a clareza. As deformidades incluem pulsação, movimento, vibração ou borramento;
  • cognição restrita: imensa dificuldade em ver letras, palavras, agrupamento de números e notas musicais, afetando a capacidade de se concentrar e de manter a velocidade da leitura;
  • má percepção: perda de claridade, da dimensão e da estabilidade dos objetos — que parecem se movimentar, ainda que estejam parados. Com isso, a noção de profundidade e distância ou a capacidade de seguir objetos que estão em movimento ficam comprometidas. A má percepção causa dificuldade em subir ou descer degraus e escadas rolantes, praticar esportes e dirigir.

Saiba as causas da Síndrome de Irlen

A síndrome de Irlen é causada por diversos tipos de desequilíbrios na capacidade de se adaptar à luz. Ela se manifesta, principalmente, pelo déficit de leitura e pela fotofobia.

Em 84% dos casos a SI é hereditária, sendo que se apenas um dos pais tiver a condição a pessoa já poderá ser acometida pela disfunção.

Mas por que ocorre essa incapacidade de adaptação à luz? Vejamos as hipóteses a seguir:

Retina

Essa área do olho possui várias camadas com células receptoras de luz. Elas são responsáveis por transformar luzes em cores. Também “traduzem” os componentes das imagens, nos ajudando a distinguir as bordas, as formas e os contornos dos objetos.

Além disso, é a retina que determina a intensidade do que enxergamos. Por tudo isso, fica claro que o mal funcionamento da retina pode causar a condição.

Movimento ocular

Enquanto lemos ou observamos atentamente um objeto, os olhos se movimentam para extrair várias informações. Ao fazer uma análise do padrão dos movimentos dos olhos, é possível auxiliar na diferenciação de pessoas que conseguem ler com facilidade daqueles que apresentam diferentes graus de dificuldade para ler.

Veja quais são os sintomas

Os sintomas causam muito desconforto e não melhoram com a idade ou com o uso de medicação. São eles:

  • ansiedade;
  • nervosismo;
  • déficit de atenção;
  • baixa capacidade de concentração;
  • grande dificuldade para dirigir no escuro;
  • tontura, náusea, dor de estômago e dor de cabeça na hora de ler ou de executar diversas tarefas que exigem atenção dos olhos — incluindo a realização de hábitos rotineiros, como subir escadas;
  • grande dificuldade para seguir objetos que estejam em movimento;
  • comprometimento para perceber profundidade de objetos (estereopsia);
  • sensibilidade a qualquer tipo de iluminação (fotofobia — como no ceratocone), como luzes mais fortes, a luz do sol, faróis de carros e iluminação utilizada nas ruas à noite;
  • grande esforço com estresse associado na realização de diversas atividades, como distinguir cores ou utilizar por muito tempo computadores;
  • astenopia: estresse visual e presente com diferenças, apenas na intensidade. O cansaço extremo causa desconforto visual e está associado à sensação de ressecamento e ardência nos olhos. Causa vermelhidãolacrimejamento, sonolência, necessidade de apertar e coçar os olhos e de realizar muitas pausas para descansar a visão. Também mudar com frequência a distância do papel impresso.

Saiba quais os tratamentos

Os tratamentos visam aliviar os sintomas e, assim, melhorar a qualidade de vida do paciente como um todo, incluindo seu rendimento escolar e no trabalho, assim como realizar tarefas simples, como subir uma escada.

Não há um tratamento que funcione da mesma forma para todos os pacientes porque a doença se manifesta de maneiras diferentes para cada pessoa.

O tratamento mais eficaz é feito com o uso de filtros espectrais especiais translúcidos e coloridos (chamados overlays) — nos tons rosa, amarelo, azul ou verde — que neutralizam os contrastes com os diferentes tipos de luminosidade.

Formatos de filtros disponíveis:

  • óculos: facilitam a leitura (para longe e para perto) e melhoram a percepção dos objetos;
  • folhas plásticas: ao serem colocadas na frente de telas de computador ou sobre documentos e livros, elas facilitam a leitura e a digitação.

Definição da cor do filtro ideal

O objetivo do filtro é neutralizar as distorções visuais pela interposição de transparências de diversas cores durante a consulta com o oftalmologista. O paciente selecionará a cor que for mais confortável durante o teste.

O que os filtros fazem? Devido à sua cor específica, os overlays cortam um determinado comprimento de onda que, por alguma razão inespecífica, cause os chamados “ruídos” no sistema visual. Ao ser cortado, o comprimento de onda correspondente a uma certa tonalidade é inibido, contornando todos os desconfortos.

O filtro vermelho, por exemplo, bloqueia o comprimento de onda azulado e o filtro azul corta os comprimentos na tonalidade vermelha.

Além dos overlasys, são usadas técnicas e interversões médicas usuais, pedagógicas e psicológicas, visando ao alívio dos sintomas e a aceitação da necessidade de conviver com o problema — como o possível constrangimento de usar óculos com lentes coloridas.

Agora que você já entendeu tudo sobre a síndrome de Irlen, siga-nos em nossas redes sociais (FacebookLinkedinTwitter e Google Plus) e confira mais informações tão importantes como essa assim que forem publicadas.

E não deixe de visitar o seu oftalmologista de confiança regularmente!

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Isabel Garcia
Especialista em Estrabismo e Oftalmolpediatria
Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ.
Durante sua vida acadêmica, participou de dezenas de congressos e simpósios, no Brasil e no exterior, e ministrou diversas aulas sobre Oftalmologia. Para mais informações sobre sua experiência na área,
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