Saiba tudo sobre a moderna lente escleral

Doenças oftalmológicas podem causar preocupação, desconforto e baixa qualidade de vida para pessoas de qualquer faixa de idade ou sexo. Embora as mais conhecidas e prevalentes sejam condições como a Hipermetropia, Miopia e o Astigmatismo, uma destas importantes patologias é o Ceratocone, quadro que afeta cerca de uma a cada 20.000 pessoas e é a principal causa de transplante de córnea no Brasil. A doença de origem genética ocorre devido a uma modificação do formato usual da córnea e gera várias distorções e incômodos visuais.

O tratamento do Ceratocone pode envolver diversas medidas — de colírios especializados a cirurgias corretivas — e muitas delas fazem uso de lentes especiais que visam atenuar a deformação da córnea e restabelecer a visão normal. Entre os muitos modelos de lentes, a recente lente escleral tem o potencial de proporcionar maior conforto e acuidade visual aos portadores de Ceratocone, podendo ter sucesso onde outras terapias falharam. Por isso, fizemos este post sobre as lentes esclerais e suas vantagens no tratamento do Ceratocone. Confira!

Uma abordagem diferente

A lente escleral, diferentemente das lentes de contato RGP (lentes rígidas gás permeáveis – as mais utilizadas para o Ceratocone), tem maior diâmetro e se ancora na esclera (a parte branca dos olhos) em vez da córnea. Esta abordagem diferenciada permite um maior conforto e adaptabilidade à lente, aumentando a chance de adesão ao tratamento.

Esta tecnologia já existia previamente, mas as lentes esclerais antigas causavam hipóxia (baixa oxigenação) na esclera e não eram suportadas por seus usuários. Entretanto, os novos materiais de alta permeabilidade ao oxigênio permitem a confecção de lentes seguras e confortáveis que fazem parte hoje do rol de possibilidades terapêuticas para o Ceratocone, trazendo maior acuidade visual até para casos mais graves. É importante ressaltar que muitos casos graves em que antigamente se era indicado o transplante de córnea para melhorar a acuidade visual do portador de ceratocone, agora há a possibilidade da melhora do quadro apenas com a lente escleral, sem a necessidade da cirurgia e consequentemente de suas possíveis complicações.

A lente escleral pode ser a solução para casos avançados

Pessoas com quadros avançados do Ceratocone dificilmente encontram alívio para sua condição em lentes de contato usuais e comumente são passíveis de tratamentos mais invasivos — como o Crosslinking e o transplante de córnea. Esses procedimentos implicam, necessariamente, um maior risco e custos ao paciente.

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Tendo em vista isso, a lente escleral pode ser uma opção efetiva para casos graves da doença, já que sua modelação especial visa corrigir até as deformações mais importantes da córnea — casos estes que não têm resultados positivos com o uso de lentes convencionais, evitando dessa forma procedimentos mais invasivos e arriscados.

Dicas de adaptação e utilização

adaptação de lentes no ceratoconeUsuários da lente escleral relatam maior conforto e adaptação a este tratamento, em comparação ao tratamento feito com as lentes rígidas convencionais. Entretanto, algumas medidas e sinais devem chamar a atenção de quem utiliza este tipo de lente:

  • Nas primeiras horas de uso, deve-se verificar se a esclera está avermelhada ou com a marca da borda da lente, pois isso pode indicar um desenho ineficaz do dispositivo;
  • Ao longo do uso, caso a visão fique embaçada ou menos clara, a possibilidade de que a lente esteja causando hipóxia da córnea deve ser avaliada por um especialista;
  • A higiene e colocação das lentes segue os mesmos procedimentos de outros modelos; entretanto, o usuário deve ter atenção especial ao posicionamento correto da lente escleral, devido ao seu maior tamanho.

E aí, você ou alguém próximo tem Ceratocone e gostou de saber dessa nova opção de tratamento? Deixe sua dúvida ou comentário! Aproveite para ler também este post que fizemos com os mitos mais comuns sobre as lentes de contato. Até a próxima!

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Ricardo Filippo
Oftalmologista
Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Durante sua vida acadêmica, participou de dezenas de congressos e simpósios, no Brasil e no exterior, e ministrou diversas aulas sobre Oftalmologia. Para mais informações sobre sua experiência na área,
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