quando fazer o crosslinkingO ceratocone é uma das doenças que mais afeta a saúde dos olhos ao redor do planeta. Ele atinge cerca de uma em cada duas mil pessoas e tem incidência nos cinco continentes, se tornando um problema crônico de saúde para os mais diversos países. Caracteriza-se por ser uma patologia progressiva, que reduz a elasticidade da córnea, deixando-a menos espessa e, com isso, reduzindo cada vez mais a acuidade visual, também gerando fotofobia e desconforto.

Os tratamentos antigos eram pouco eficazes e serviam quase que exclusivamente para tratar os sintomas, sendo a única cura possível o transplante de córnea. Porém, surge agora uma revolucionária técnica que promete estabilizar o quadro: o crosslinking. Quer descobrir quando é a hora de realizar essa cirurgia? Confira no texto a seguir:

Quem deve fazer o crosslinking?

Essa técnica relativamente nova já é praticada com sucesso em diversos países europeus e nos Estados Unidos, sendo mais indicada para pacientes portadores do ceratocone em estágios leves e moderados da doença.

Há indicação também em alguns casos de ceratocone, infecções e melting corneano, o procedimento também é recomendado.

Pre-requisitos para a realização do tratamento

Primeiramente, é preciso que o quadro de ceratocone seja comprovado por exames de topografia ou tomografia corneana.

A espessura da córnea, em linhas gerais, deve ser igual ou superior a 400 micra — isto é, 400 milésimos de milímetros —, pois essa medida é indispensável para a proteção e manutenção do endotélio íntegro após o método. A curvatura da córnea também é avaliada e deve ser menor que 70 dioptrias.

Também é recomendado que não haja cicatrizes corneanas e que o paciente não tenha história pregressa de herpes ocular.

Gestantes não devem realizar o procedimento.

A logística da cirurgia

O procedimento cirúrgico não é dos mais demorados nem envolve muitos riscos como um transplante de córnea, por exemplo. No entanto, isso não quer dizer que muitos cuidados não precisem ser tomados: o método exige um ambiente estéril, ou seja, é preciso que seja realizado em um centro cirúrgico.

LEIA TAMBÉM:  Lente escleral: o que é e como pode ajudar quem possui ceratocone?

A anestesia é tópica, através de um colírio anestésico. O epitélio é removido através de raspagem e é aplicada então uma solução de Riboflavina a 0.1% a cada cinco minutos, durante trinta minutos, que é o tempo necessário para que a córnea esteja impregnada da substância.

Depois, utiliza-se radiação ultravioleta A e, por fim, coloca-se uma lente de contato que permanece até que o epitélio se regenere.

Resultados do Crosslinking

Os resultados são animadores e os pacientes em geral conseguem estagnar ou reduzir bastante o avanço da doença. Embora a intenção não seja propriamente a melhora da acuidade, alguns estudos apontam que até 25% dos pacientes que se submeteram ao procedimento tiveram evolução na capacidade visual.

Como podemos ver então, os portadores de ceratocone em estágio leve ou moderado são os que colhem os melhores benefícios, embora até em estágio avançado o procedimento possa trazer bons resultados.

A técnica está revolucionando a medicina dos olhos e deve ficar cada vez mais acessível para as pessoas, possibilitando, assim, que pacientes que caminhavam para limitações visuais severas enxerguem bem por muito mais tempo.

Compartilhe suas dúvidas sobre o momento ideal para realizar o crosslinking e confira também nosso post sobre o que é esse procedimento! E não esqueça de consultar seu oftalmologista anualmente, a prevenção é sempre o melhor remédio!

Que tal conferir também o nossos artigos relacionados:

E não deixe de visitar o seu oftalmologista de confiança regularmente!

Posts Relacionados

Ricardo Filippo
Oftalmologista
Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Durante sua vida acadêmica, participou de dezenas de congressos e simpósios, no Brasil e no exterior, e ministrou diversas aulas sobre Oftalmologia. Para mais informações sobre sua experiência na área,
clique aqui.