Saiba tudo sobre os exames oftalmológicos

Um outro agente que afeta diretamente a saúde dos olhos é a poluição. Além desses fatores, o avanço da idade também propicia o aparecimento de problemas de visão. Por essas razões, após os 50 anos, é fundamental fazer exames oftalmológicos anualmente para descobrir problemas oculares precocemente.

Se, nessas consultas, o oftalmologista solicitou exames para você, ou para um familiar idoso ao qual acompanha, e você quer entender para que servem, confira nosso texto. Ele foi elaborado para garantir a familiarização com os procedimentos e está em ordem alfabética, facilitando sua leitura. Acompanhe!

28 exames oftalmológicos que você precisa conhecer

1. Acuidade Visual

Esse exame mostra se a pessoa enxerga detalhadamente uma palavra ou um símbolo a uma determinada distância e se vê com clareza as formas dos objetos. Existem alguns tipos de exame de acuidade visual — a maioria deles de realização simples.

2. Acuidade Visual Potencial a Laser (PAM)

O PAM é um exame que avalia o potencial de visão do paciente tendo várias indicações, tais como:

Em cirurgias de catarata, ele fornece o nível de expectativa que o paciente terá em relação à melhora de visão após a cirurgia. Ou seja, ele prediz o quanto o paciente chegará em visão após a cirurgia de catarata.

3. Avaliação de Senso Cromático (Teste de Ishihara)

Se você acha que é daltônico (tem dificuldade em distinguir certas cores), saiba que existe um exame capaz de tirar essa dúvida. Ele detecta doenças que causam confusão na distinção de cores — como verde e vermelho no daltonismo, e azul e amarelo em doenças da mácula.

O teste é bem simples e consiste na observação de cartões coloridos, cada um com vários círculos com cores ligeiramente diferentes entre si. A pessoa que não consegue enxergar um número no centro dessa combinação de cores pode estar com algumas dessas condições.

4. Aberrometria Wavefront

Tradicionalmente, o exame clínico de refração é o mais comum e realizado nos consultórios oftalmológicos. É por meio dele que é medido o “grau” dos óculos que o paciente precisa usar. Com ele, controla-se a evolução de: astigmatismomiopia e hipermetropia.

O exame da aberrometria Wavefront possui a função de mapear as aberrações ópticas e imperfeições dos olhos de cada paciente.

É indicado nos casos em que o uso de óculos ou lentes de contato não atingem uma acuidade visual satisfatória, tais como:

Além disso, pode ser utilizado também no pré-operatório de cirurgias refrativas a laser.

5. Análise de Camadas de Fibras Nervosas (HRT)

O HRT, também conhecido como Análise Computadorizada de Papila, é um exame realizado com a incidência de um feixe de luz nos olhos. Esse fluxo luminoso de intensidade próxima a do infravermelho faz uma varredura completa, permitindo a análise das camadas do nervo óptico.

Esse exame é solicitado quando o médico oftalmologista suspeita de danos nas fibras nervosas dos olhos. Esse tipo de dano ocorre no glaucoma, na miopia de grau elevadona hipertensão, entre outras doenças.

6. Angiografia com Indocianina Verde (ICG)

Também conhecido como indocianinografia, esse exame avalia, principalmente, a circulação da coroide (membrana que envolve o olho). O ICG é indicado para detectar doenças como a coriorretinopatia, a vasculopatia, os tumores oculares, alguns casos de degeneração macular, entre outras doenças.

A palavra “verde” está no nome do exame porque, para sua realização, é injetada na veia do paciente uma substância dessa cor. A partir daí, é realizada uma sequência de imagens do fundo do olho, e a tonalidade diferenciada garante que tais fotos identifiquem o problema.

7. Biomicroscopia

A biomicroscopia, ou exame na lâmpada de fenda, é indicada em todos os exames oftalmológicos para ver como está a saúde dos olhos ou investigar doenças oculares. Ela avalia os olhos em detalhes, incluindo a córnea, o nervo óptico e até as células dos olhos. Isso é possível porque o equipamento usado é um microscópico com grande aumento.

8. Biomicroscopia Ultrassônica (UBM)

O UBM é um exame ultrassonográfico de alta frequência que estuda as estruturas anteriores do olho (córnea, corpo ciliar, íris, cristalino, coróide e retina periférica).

Esse exame é indicado para o diagnóstico e no controle de tumores do segmento anterior dos olho (íris e corpo ciliar).

Possui também utilidade em pacientes com glaucoma para o estudo do ângulo irido-corneano e também da posição da íris e corpo ciliar.

Outra função desse exame seria no planejamento pré-operatório de implantes de lentes fácicas e também para avaliação da posição de lentes-intra-oculares.

9. Curva de Pressão Intraocular

A análise denominada Curva de Pressão Intraocular é muito importante para acompanhar a progressão do glaucoma. Ela é usada para medir o aumento da pressão intraocular (Po), além de sua oscilação e de seus picos.

Esse exame deve ser realizado na parte da manhã — quando está mais alta — e a medição é feita em diferentes horários.

10. Campo Visual de Goldman (Manual)

Usado para detectar alterações de campo visual de forma não computadorizada (por isso manual), esse exame é indicado para diagnosticar e controlar doenças neurológicas e também em pacientes com dificuldades de realizar o exame computadorizado.

11. Ceratometria

Esse exame é utilizado para medir a curvatura da superfície da córnea, sendo muito importante para quem precisa adequar as lentes de contato à córnea e também para aferir a lente intraocular que será usada na cirurgia de catarata.

12. Ecobiometria Ocular (Biometria Ultrassônica)

Por meio de um tipo de ultrassom, a ecobiometria ocular mede a distância entre as estruturas oculares. Ela deve ser feita em pacientes que se submeterão à cirurgia de catarata para determinar o grau da lente intraocular a ser implantada nos olhos do paciente.

A biometria ultrassônica também é usada no controle pós-operatório de glaucoma congênito (o glaucoma que acomete crianças que nascem com a doença).

13. Ecometria (IOL MASTER)

O exame é realizado com o IOL MASTER, que é o mais avançado equipamento para medir o grau das lentes a serem introduzidas em cirurgias de catarata.

A ecometria é bastante precisa na hora de medir a profundidade da câmara anterior dos olhos das pessoas que se submeterão a essa cirurgia.

14. Eletroretinograma (ERG) e Eletro-oculograma (EOG)

O ERG avalia como a retina reage aos estímulos luminosos, auxiliando no diagnóstico e no acompanhamento de várias doenças da retina, como a distrofia de cones e a retinose pigmentar.

Já o eletro-oculograma é indicado no diagnóstico das patologias:

  • distrofia de Best;
  • distrofia padrão;
  • trauma retiniano;
  • fundus flavimaculatus;
  • descolamento de retina;
  • doença viteliforme do adulto;
  • doenças retinianas com diferentes graus de acometimento da camada celular pigmentada.

15. Estereofoto de Papila (Retinografia Estereoscópica de Papila)

Seu objetivo é documentar e auxiliar no diagnóstico das alterações do disco óptico, sendo empregado para avaliar pacientes com glaucoma e nas doenças dos nervos ópticos.

O exame pode causar certo desconforto e fotofobia temporária devido ao flash disparado enquanto são registradas as imagens repetidas do fundo do olho.

16. Exoftalmometria

Medir o grau de protusão (saliência) do globo ocular é o objetivo da exoftalmometria. Ela é usada para detectar doenças, como tumores e hipertireoidismo.

O procedimento é bastante simples, podendo ser feito em adultos e em crianças utilizando-se uma régua própria.

17. Fundo de olho (Fundoscopia Ocular)

Diagnostica lesões causadas pelo glaucoma, por doenças do nervo óptico e da retina. Durante o exame, o paciente é colocado em um ambiente com pouca iluminação para que a pupila fique estável e sua vista seja dilatada.

O aparelho permite ao médico oftalmologista observar as estruturas do fundo do olho através da pupila, tais como nervo óptico, vasos sanguíneos e a região central da retina (mácula).

18. Gonioscopia

Esse exame é indispensável para identificar e tratar o glaucoma, para estudar tumores na íris e diagnosticar outras anormalidades, como as de trauma ocular. Seu objetivo é avaliar o ângulo interno (seio camerular) dos olhos.

Para fazer o exame, não é necessário dilatar as pupilas, mas são aplicados um colírio um anestésico e um gel, deixando a visão turva por algum tempo.

19. Lissamina Verde ou Rosa-bengala

Esse exame é indicado para pessoas com olhos secos para avaliar o grau de debilitação das células superficiais da córnea e da conjuntiva. O nome se dá devido ao uso, durante o procedimento, de um produto que leva esse nome.

Tanto a rosa-bengala quanto a lissamina verde são corantes vitais, utilizados no estudo do olho seco.

No entanto, é dada preferência hoje em dia ao uso da lissamina verde, por causar menos desconforto ao paciente e ser mais eficaz.

20. Mapeamento de retina

O mapeamento de retina é um exame muito realizado que apresenta resultados específicos e bem detalhados da visão. Ele deve ser feito anualmente porque os problemas na retina apenas se manifestam em estágios avançados.

Esse exame diagnostica precocemente as mudanças causadas por várias doenças na retina. Durante o exame, o paciente recebe uma projeção luminosa no fundo do olho após ter a pupila dilatada. A imagem que se forma é refletida e observada por uma lente usada pelo médico.

21. Microscopia Especular de Córnea

Trata-se de um exame recomendado às pessoas que farão cirurgias oculares, como a refrativa, a de catarata e o transplante de córnea.

Realizado com fotografias de determinadas células, ele determina as características das células endoteliais da córnea, mostrando como está sua morfologia (forma dessas células), quantidade e vitalidade.

22. Paquimetria Ultrassônica (Óptica)

Medir a espessura da córnea é o objetivo desse exame, sendo imprescindível no planejamento de cirurgias refrativas (para corrigir a miopia, por exemplo).

Além disso, é muito utilizada no estudo de pacientes com glaucoma, uma vez que a pressão intra-ocular é “ajustada” de acordo com a espessura da córnea.

A paquimetria óptica também é recomendada para fazer o diagnóstico de lesões corneanas, como o edema de córnea, a distrofia, entre outras.

23. Potencial Visual Evocado (PVE)

Trata-se de uma avaliação das vias visuais realizada para detectar distúrbios dessas vias e do nervo óptico. O exame PVE auxilia no diagnóstico de lesões nesse nervo e de doenças desmielinizantes (do sistema nervoso).

Na realização do exame, alguns eletrodos são posicionados na testa e no couro cabeludo, e o paciente deve olhar para a tela do televisor.

24. Refração Computadorizada

É o exame de refração citado anteriormente (para ver se a pessoa precisa usar óculos de grau), mas feito de forma computadorizada.

Por meio dele, e de maneira aproximada, é medida a refração do olho para detectar e acompanhar a evolução da miopia, da hipermetropia, do astigmatismo e do ceratocone.

25. Tela de Amsler

Tela de Amsler recebeu esse nome porque representa o desenho de uma tela quadrada e toda quadriculada, que foi desenvolvida por um professor chamado Marc Amsler.

O traçado ajuda na rápida detecção de irregularidades no campo de visão central de um paciente com alterações na retina, como a degeneração macular relacionada à idade (DMRI), a miopia patológica (MP) e o edema macular diabético (EMD).

A pessoa que realizar o teste deve olhar fixamente para a tela e, ao observar determinadas alterações, deverá procurar um oftalmologista imediatamente.

26. Teste de Schirmer

Esse exame busca avaliar se a produção de lágrimas pelos olhos é satisfatória para mantê-los suficientemente lubrificados. Por isso, sua realização é indicada para pessoas com suspeita de olhos secos e também para auxiliar na detecção de algumas doenças reumatológicas.

Para realizá-lo, uma pequena dobra de fita de papel é colocada sob a pálpebra inferior (por cinco minutos). Depois, é medido o comprimento da fita que ficou umedecido para avaliar a quantidade de lágrimas liberada pelos olhos.

27.Teste de sobrecarga hídrica

Esse exame é indicado no diagnóstico e no acompanhamento de pacientes em que o médico suspeita de glaucoma.

É realizado após a ingestão de um litro de água (ingerida durante 5 minutos), elevando momentaneamente a pressão intraocular (pela ingestão da água) e observar como a pressão do olho se comportará.

Um olho afetado pelo glaucoma tende a elevar muito mais a pressão intra-ocular do que o olho de um paciente sadio.

Exames com elevações da pressão intra-ocular acima de 5 mmHg após a ingesta da água, são considerados alterados.

28. Topografia de Córnea (Ceratoscopia Computadorizada)

O objetivo do exame de Topografia de Córnea é fazer um mapeamento topográfico da córnea, sendo indicado para:

Esperamos que você tenha entendido tudo sobre os exames oftalmológicos. Que tal agora aprender sobre os 6 sinais de que é a hora de visitar um oftalmologista?

Agora que você já está familiarizado com todos os exames oftalmológicos, comente se já realizou alguns deles e como foi sua experiência.

E não esqueça de visitar o seu oftalmologista de confiança regularmente!

Mario Filippo
Especialista em Cirurgia Refrativa a Laser e Ceratocone
Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Durante sua vida acadêmica, participou de dezenas de congressos e simpósios, no Brasil e no exterior, e ministrou diversas aulas sobre Oftalmologia. Para mais informações sobre sua experiência na área,
clique aqui.

Posts Relacionados