Estrabismo infantil requer atenção

Você já deve ter ouvido falar que a autoestima precisa ser construída na infância. Afinal, trata-se de um dos pilares básicos da inteligência emocional. Pais e responsáveis devem estar atentos aos fatores que interferem negativamente neste processo de construção. O estrabismo, tipo de distúrbio que faz com que os olhos da criança fiquem desalinhados e com o paralelismo prejudicado, sem dúvidas, é um deles. 

O estrabismo afeta diretamente a aparência e, consequentemente, a autoestima, podendo acarretar em marcas físicas e emocionais eternas. É necessário recorrer o quanto antes ao tratamento para estrabismo, uma vez que o distúrbio não se corrige com o passar do tempo, e os olhos desalinhados podem trazer consequências irreversíveis à visão. 

Para se ter uma ideia, segundo a Sociedade de Pediatria, cerca de 85% do relacionamento com o ambiente em que vivemos acontece por meio da visão. O estrabismo ocorre em cerca de 3% das crianças. Sem tratamento, cerca de 50% delas têm alguma perda da visão por causa da ambliopia  (redução funcional da acuidade de um olho causada durante o desenvolvimento visual). É o que apontam dados publicados no MSD Manuals. 

Importância do diagnóstico precoce

Quanto mais cedo acontecer o diagnóstico, melhores serão os resultados do tratamento para estrabismo. A intervenção rápida possibilita identificar a possível causa e eliminá-la, corrigindo a musculatura ou problemas mais graves que possam ser a razão do desalinhamento. Dentre as possíveis causas do estrabismo, podemos citar um erro de refração (hipermetropia excessiva) ou um desequilíbrio na força dos músculos que controlam a posição dos olhos. Existem outras possibilidades, como perda de visão (devido a uma catarata, por exemplo), doenças neurológicas ou fratura da órbita ocular. Cada caso deve ser avaliado individualmente pelo médico oftalmologista.

Indica-se procurar ajuda após os seis meses de vida, pois até esta idade pode ocorrer um desalinhamento, cuja correção se dá naturalmente por tratar-se de um distúrbio comum devido ao amadurecimento do sistema neurológico. A partir daí, qualquer suspeita de estrabismo deve ser avaliada. 

Quais os principais sinais e sintomas?

O estrabismo infantil, conforme alerta o MSD Manuals, pode ser suspeitado quando a criança aperta os olhos ou cobre um deles para realizar alguma atividade – como se assim, enxergasse melhor. O defeito pode ser detectado observando também a postura da criança, que pode ser anômala, além de movimentar-se de maneira não coordenada. A menos que sejam graves, raramente causam sintomas. 

Há diversos tipos de estrabismo: alguns caracterizados pelo desvio dos olhos para dentro (esotropia ou olhos cruzados) e outros pelo desvio para o exterior (exotropia ou olho errante). Ainda segundo o MSD, existe também o desvio ascendente do olho (hipertropia) ou descendente (hipotropia). O defeito de alinhamento pode ser constante (o olho vira todo o tempo) ou intermitente (o olho vira apenas parte do tempo), podendo ser leve ou grave.  

Tratamento para estrabismo infantil

O tratamento para estrabismo infantil varia conforme o caso, bem como a idade, visto que as intervenções são diferentes em cada faixa etária, ou nos que já apresentam algum grau de perda de visão. Diagnóstico precoce aliado ao tratamento adequado evita, em muitos casos, a necessidade de cirurgia para estrabismo. O objetivo do tratamento é igualar a visão e alinhar os olhos. Dentre as opções de tratamento, destacam-se:

– Óculos: alguns tipos de estrabismo podem ser tratados com óculos. É o caso de pacientes com estrabismo convergente e com alta hipermetropia, em que o desvio é corrigido ao utilizar o grau, porém, reaparece à retirada dos óculos. 

– Óculos com prismas: com lentes especiais, são indicados em casos específicos, como diplopia (“visão dupla”) e desvios muito pequenos. 

– Exercícios ortópticos: prescritos em casos selecionados, agindo como uma “fisioterapia” ocular. Os exercícios podem ajudar na correção da exotropia intermitente e insuficiência de convergência. 

– Toxina botulínica: indicada para casos em que há paralisia muscular, ou pacientes  em que existem contra-indicação para realização da cirurgia para estrabismo. 

Vale destacar que o tampão, em geral, não trata o desvio, e somente estimula o olho amblíope (“preguiçoso”). Apenas em alguns casos, é utilizado como tratamento para estrabismo.  

Cirurgia para estrabismo: quando é necessária?

A cirurgia para estrabismo é recomendada para os casos nos quais os demais tratamentos não surtiram os efeitos desejados. É realizada em ambiente hospitalar e com anestesia geral. O objetivo da cirurgia é realinhar a musculatura do olho para corrigir o desvio do globo. Em muitos casos, é possível fazer mínimas incisões (a chamada cirurgia via fórnice), o que permite um pós-operatório menos desconfortável. As taxas de sucesso do realinhamento podem exceder 80%.

Diante dos primeiros sinais, busque auxílio médico. A Clínica de Oftalmologia Integrada (COI) está disponível para te atender. Lembre-se: é importante submeter toda criança em idade escolar, independentemente de sinais e sintomas, a uma consulta oftalmológica. O estrabismo pode ser detectado durante testes de rotina em crianças saudáveis por meio da história e de exames oculares  Entre em contato e agende um horário. 

Ricardo Filippo
Especialista em Cirurgia Refrativa a Laser e Ceratocone
Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Durante sua vida acadêmica, participou de dezenas de congressos e simpósios, no Brasil e no exterior, e ministrou diversas aulas sobre Oftalmologia. Para mais informações sobre sua experiência na área,
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