Descubra o segredo da cor dos olhos

Os olhos são órgãos simplesmente fascinantes, que nos permitem enxergar, conhecer e nos surpreender com o mundo. Mais especificamente, a cor dos olhos é um traço genético admirável, que apresenta uma incontável quantidade de possibilidades de variações e tons. De olhos cinzas a castanhos, existe uma infinidade de características a serem descobertas.

Sabia que as cores dos olhos, assim como as impressões digitais, são únicas para cada pessoa? Quer saber qual é o segredo de tanta variedade? Então descubra a seguir como é definida a pigmentação dos olhos!

 

A cor dos olhos

A cor dos olhos tem origem na herança poligênica, ou seja, no momento em que vários pares de genes interagem para definir uma mesma característica. A partir dessa relação, diversas proteínas são produzidas para determinar a quantidade de melanina depositada na íris — o disco colorido do olho que envolve a pupila.

Os diferentes tons se formam a partir da melanina, uma substância marrom amarelada. Assim, se não houver pigmento algum na íris de alguém, essa pessoa terá olhos azuis. Como a melanina é produzida durante o crescimento, está explicado por que a maioria dos bebês nasce com olhos azuis, que escurecem ao longo do tempo.

Quantidades intermediárias da substância formam cores como o cinza, o verde e as mais variadas tonalidades de castanho. Outros genes podem ser responsáveis por diferentes alterações na íris, como manchas e pintas. Além disso, a existência de mais pigmentos é importante, pois protege os olhos dos efeitos nocivos da radiação solar.

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A teoria da cor dos olhos azuis

Existe uma teoria que diz que, nos tempos primórdios, todos os seres humanos tinham olhos castanhos. Um dia, uma pessoa sofreu uma mutação — como se existisse um interruptor que desligou a produção de melanina — e nasceu com os olhos azuis. A partir de então, essa característica foi sendo repassada para as gerações seguintes. Você acredita?

A melanina é o mesmo pigmento que dá cor à nossa pele. Isso explica por que a coloração anterior era castanha: assim como para a nossa pele, esse tom protege os olhos dos efeitos nocivos dos raios solares.

Outro exemplo de cor de olho com menos melanina são os olhos cinza. Pessoas com os olhos dessa cor estão, geralmente, localizadas no hemisfério norte, na mesma região de maior prevalência dos olhos azuis. Assim como quem possui olhos azuis, quem possui olhos cinza também pode mudar a coloração com o tempo: a pessoa nasce com os olhos de uma cor e aumentar a quantidade de melanina com o tempo.

 

A heterocromia

heterocromia é uma das variações na cor dos olhos que chama a atenção, por ser muito curiosa. Nesse caso, a pessoa não apresenta uma cor diferente ou exótica na íris, mas sim duas cores distintas. A variação pode se dar de três formas:

  • heterocromia completa: quando cada olho tem uma cor distinta, caracterizando dois olhos diferentes;
  • heterocromia setorial: quando a íris possui manchas ou variações de cor diferentes da predominante;
  • heterocromia central: apenas um dos olhos possui duas cores e, ainda, um arco dourado em volta da íris ou da pupila.

Suas causas também variam, podendo ser um fator genético ou decorrente de patologias e impactos físicos.

 

A influência genética

Cada ser humano tem um tipo de material genético que se mistura e combina de muitas maneiras diferentes. Isso significa que a influência dos genes de cada um dos pais de um bebê só é efetivamente conhecida no parto — e é essa imprevisibilidade na interação do material genético que pode produzir tonalidades diferentes, como o cinza e o violeta.

As variações genéticas foram importantes, no passado, para conseguirmos sobreviver ao ambiente externo. Olhos mais escuros, por exemplo, conferiram maior proteção contra raios solares a nossos antepassados que moram perto do equador. Já olhos mais claros possibilitaram maior absorção de luz solar, essencial para nossa sobrevivência.

Atualmente, somos quase todos uma mistura de vários genes e colorações. É comum pessoas nascerem com uma coloração ocular específica — com olhos cinzas ou azuis, por exemplo — e mudarem com o tempo. Confira, a seguir, as principais características dos genes que modificam a cor dos olhos.

 

Dominantes e recessivos

Os genes dominantes são aqueles que têm mais força e que, em uma combinação com outro gene, acabam prevalecendo. Em outras palavras, eles determinam uma característica hereditária. Já os genes recessivos são mais fracos e produzem proteínas igualmente mais frágeis. Por esse motivo, são inativos e sua influência fica escondida diante dos genes dominantes.

Observe que os genes para olhos escuros são dominantes. Assim, a probabilidade de um bebê nascer com os olhos castanhos ou pretos em vez de azuis ou verdes é inevitavelmente maior. Se o pai ou a mãe do neném tiver olhos castanhos, é muito provável que a cor dos olhos do filho também seja essa.

 

A mudança da cor dos olhos

Como dito antes, a cor dos olhos do bebê muda com o passar tempo, assim que o organismo começa a produzir melanina. A exposição ao sol é o que ativa essa produção e estimula a mudança de cor, tanto nos olhos, como na tonalidade da pele.

Quando a criança atinge a idade entre 6 e 9 meses, a cor dos seus olhos já pode ter se tornado definitiva. No entanto, mudanças podem acontecer até os 12 meses, quando, então, a criança já tem o tom da íris realmente definido.

Apesar de ser nessa idade em que a cor se define, o organismo pode continuar mudando até os 5 ou 6 anos, mas, nesse caso, a cor dos olhos sofre pequenas alterações. Ela não mudará significativamente, mas poderá se alterar de forma sutil.

É muito raro que após os 6 anos de idade os olhos de uma pessoa continuem a mudar de cor por razões naturais. Apenas as condições ocasionadas por doenças ou alterações genéticas é que costumam causar alterações tardias.

Alguns exemplos dessas condições são os casos de:

  • síndrome de Horner congênita: afeta um dos olhos, que acaba ficando mais claro do que o outro;
  • uveítes: condição inflamatória que afeta a íris, corpo ciliar, coroide e outras estruturas oculares;
  • albinismo: baixa produção de pigmentação ou total ausência dela no organismo.

No caso de pessoas adultas, quando a cor dos olhos muda — indo do castanho para o verde, por exemplo — ou quando a íris passa por alterações drásticas de tonalidade — ficando muito mais escura ou muito mais clara —, é preciso ficar atento.

Essas transformações podem ser sintomas de doenças como o glaucoma e a iridociclite. Nesse caso, não custa nada fazer uma visitinha ao oftalmologista!

 

As cores mais raras e exóticas

Embora fiquemos admirados quando vemos pessoas com olhos azuis, essa cor não é uma das mais raras que existe. No Brasil, predominam as variações da cor castanha para os olhos, por isso ainda nos surpreendemos com o tom azul.

No entanto, veja, a seguir, como os olhos humanos podem ter cores ainda mais diferentes do que estamos acostumados.

 

Âmbar

São os chamados olhos cor de mel, que podem ser confundidos com verde ou castanho-claro. Os olhos cor de âmbar são raros e possuem uma cor sólida que varia entre tons de dourado e amarelo. Sua ocorrência é maior na Ásia e na América do Sul.

 

Violeta

Olhos cor de violeta também são raríssimos e se tratam de uma combinação incomum na composição da melanina. Essa cor de olhos carrega um mito que diz estar associada à mutação genética Gênese de Alexandria.

As pessoas portadoras dessa mutação teriam os olhos e a cor da pele em tom violeta e seriam imunes a doenças, o que acarretaria vida-longa, juventude e uma visão perfeita.

 

Preto

Por mais escuros que sejam os olhos de uma pessoa, dificilmente eles serão totalmente pretos. Geralmente, vemos o castanho escuro muito intenso, mas o preto carrega até mesmo a crença de que não existem de verdade.

Os olhos dessa cor geralmente são decorrentes de uma doença rara, a aniridia, caraterizada pela presença exclusiva da pupila, com ausência da íris.

 

Verde

Os olhos verdes são mais incomuns do que os olhos azuis e, por isso, merecem um lugar na lista de cores incomuns. Esse tom geralmente se manifesta em pessoas que nasceram com os olhos cinzas ou azuis.

 

Cinza

Assim como os olhos azuis, os olhos cinza possuem menor quantidade de melanina. Geralmente, pessoas que apresentam essa coloração ocular mesclam o tom cinza com verde e azul; a própria tonalidade cinza pode variar de tons mais escuros a tons mais claros. Dependendo da luminosidade do local, a cor dos olhos também pode variar

Essa cor é rara e costuma estar presente em pessoas nascidas na Rússia Europeia, em países bálticos e na Finlândia. Indivíduos com parentes nessas regiões também podem carregar o gene responsável pelo olho cinza e nascer com ele, mesmo em diferentes regiões.

Uma das explicações dadas à diferença entre os olhos cinzas e os olhos azuis está na deposição de colágeno no estroma — essa substância faz com que a luz seja refratada de maneira diferente da usual. A diferença é análoga à cor do céu quando varia do azul (em um dia ensolarado) ao cinza (em um dia nublado).

Além dessa explicação, também há a justificativa da quantidade de concentração de melanina no estroma. Embora tanto olhos azuis quanto olhos cinzas apresentem baixa concentração de melanina, parece haver uma pequena diferença entre os dois.

É importante nos recordarmos que a melanina é fundamental para a proteção contra os raios solares. Pessoas com olhos cinza, portanto, devem ter um cuidado especial com a exposição solar: usar óculos escuros com proteção a raios ultravioleta são cuidados essenciais para manter a saúde dos olhos.

Embora essa coloração seja exótica e deixe o olhar mais belo e misterioso, é importante nos recordarmos de que olhos cinzas são raros. Assim, ainda que o bebê nasça com essa coloração ocular, é comum que ele mude a cor dos olhos com o passar dos anos.

Seja qual for a cor dos olhos, eles sempre nos atraem, afinal, são a primeira coisa que observamos em uma pessoa ao olharmos para ela. Além disso, os olhos são uma das nossas principais vias de contato com o mundo exterior e precisam ser bem cuidados.

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Ricardo Filippo
Especialista em Cirurgia Refrativa a Laser e Ceratocone
Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Durante sua vida acadêmica, participou de dezenas de congressos e simpósios, no Brasil e no exterior, e ministrou diversas aulas sobre Oftalmologia. Para mais informações sobre sua experiência na área,
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