Quais são os problemas de visão mais comuns e como tratá-los?

Dê sua nota!

Existe uma série de doenças que podem afetar os olhos e prejudicar a saúde ocular e, dentre elas, existem alguns problemas de visão mais comuns e recorrentes do que outros. Independente dos fatores das causas, sabemos que problemas oculares afetam uma parcela significativa da população.

De acordo com uma pesquisa feita pelo IBGE, mais de 35 milhões de brasileiros – aproximadamente 19% da população – sofrem com algum problema de visão, enquanto que 500 mil pessoas foram diagnosticadas com cegueira.

Somado a isso, os hábitos modernos, como uso excessivo de eletrônicos, estão nos levando a uma verdadeira epidemia de miopia. É o que mostra um levantamento feito pela Academia Americana de Oftalmologia (AAO), que afirma que, até 2050, metade da população mundial terá miopia, condição que, em casos mais graves, pode ser a porta de entrada para outras doenças oculares.

A maioria dos problemas de visão pode ser corrigida e, com o devido acompanhamento médico, não apresenta riscos ao paciente. Dentre uma série de doenças que podem acometer nossos olhos, aquelas que são mais comuns merecem atenção especial ao surgimento dos seus sintomas e às possibilidades de tratamento, favorecendo o diagnóstico precoce e o encaminhamento médico adequado.

Os 10 problemas de visão mais comuns

Confira agora os 10 problemas de visão mais comuns, seus sintomas e as opções de tratamento para cada uma deles.

1. Miopia

Caracterizada pela dificuldade de enxergar objetos que estejam longe, a miopia é, provavelmente, o mais conhecido distúrbio ocular. Ela é causada por uma deformidade no formato do globo ocular, que apresenta-se mais alongado do que o normal. Essa característica faz com que as imagens sejam formadas antes da retina, gerando problemas para enxergar à distância.

O míope pode sofrer com dores de cabeça, lacrimação excessiva e tontura, principalmente por conta da necessidade constante de forçar a vista para enxergar com acuidade.

O tratamento da miopia é feito por meio do uso de óculos ou lentes de contato, que realizam o ajuste do foco e fazem com que a imagem se forme corretamente na retina. Além disso, existe também a opção de intervenção cirúrgica, recomendada apenas para maiores de 18-21 anos, idade em que as estruturas oculares já não sofrem modificações e o grau da miopia tende a se estabilizar.

2. Astigmatismo

O astigmatismo está relacionado à dificuldade em enxergar contornos e formas com nitidez, bem como linhas retas. Por esse motivo, é comum que pessoas com esse problemas não consigam distinguir as letras M e N, por exemplo.

Essa condição se dá por conta de uma deformação na córnea, que distorce a forma como a luz entra nos olhos e faz com que haja várias pontos de foco, em vez de apenas um.

Dentre os sintomas do astigmatismo, destacam-se dores de cabeça, visão embaçada, dificuldade de leitura e cansaço visual.
A solução mais simples é a utilização de óculos ou lentes de contato. No entanto, assim como a miopia, existe a alternativa de cirurgia para corrigir o problema em maiores de 18-21 anos.

3. Hipermetropia

Ao contrário da miopia, a hipermetropia caracteriza-se pela dificuldade do paciente em enxergar objetos próximos a ele. Essa condição também é causada por uma deformação anatômica do olhos, em que o globo ocular apresenta-se mais achatado e, com isso, a imagem forma-se atrás da retina.

O hipermétrope pode sofrer com constantes dores de cabeça, desconforto para ler, visão embaçada e dificuldade de concentração. Este último torna-se especialmente grave em crianças em idade escolar, pois pode afetar seus desempenho.

Vale destacar ainda que, quando congênita, a hipermetropia está pode estar relacionada ao estrabismo e à ambliopia, causando prejuízos ao desenvolvimento da visão da criança.

O tratamento também se dá com o uso de óculos ou lentes de contato, bem como por meio de cirurgia após os 18-21 anos.

4. Catarata

Seja congênita ou por conta do envelhecimento natural dos olhos, a catarata consiste no processo de opacificação do cristalino, criando a sensação que há uma película branca em frente à pupila.

Dentre os principais sintomas está a diminuição da visão, alta sensibilidade à luz e lacrimação. O tratamento ocorre por meio de cirurgia para a remoção do cristalino e substituição por lentes intra-oculares artificiais.

5. Estrabismo

O estrabismo se caracteriza pela falta de alinhamento entre os dois olhos, causado pelo desenvolvimento irregular dos músculos oculares.

Essa diferença, que geralmente surge na infância, leva os olhos a se movimentarem se forma descoordenada entre si, causando problemas como dificuldade de focar imagens, visão dupla, dores de cabeça, além de problemas de socialização.

O estrabismo também pode ser tratado com uso de óculos e lentes de correção. No entanto, há casos em que é necessária a realização de cirurgia para correção dos músculos oculares. Outra alternativa é o tratamento com aplicação de toxina botulínica.

6. Glaucoma

Trata-se de um problema marcado pelo aumento da pressão interna do globo ocular, que acaba comprimindo os vasos sanguíneos e interrompendo a circulação na região dos olhos. Esse quadro pode levar a danos graves no nervo óptico, provocando perda progressiva de visão, estreitamento do campo visual e até mesmo cegueira.

Os sintomas mais comuns são dor intensa nos olhos, vermelhidão, visão embaçada e dores de cabeça. Para o tratamento, é usual a indicação de colírios e medicamentos via oral para controle da pressão intraocular. No entanto, a possibilidade de intervenção cirúrgica não pode ser descartada.

7. Pterígio

O pterígio ocorre quando há um espessamento da conjuntiva, que é a membrana que reveste o globo ocular. Trata-se uma lesão benigna, que afeta a área de exposição ocular, sempre no sentido das extremidades do olho em direção à córnea.

Por ser uma doença lenta e gradual, em casos mais graves o pterígio pode avançar até o ponto de cobrir o campo visual do paciente, prejudicando a visão e podendo levar à cegueira.

Sua principal causa é a exposição excessiva à radiação ultravioleta. Não à toa, trata-se de uma doença com alta incidência em regiões equatoriais, caracterizadas pelo clima ensolarado.

Geralmente assintomático, o pterígio incomoda mais pela aparência. Porém, em alguns casos, pode causar vermelhidão e inflamações oculares, ocasionando ardência, coceira e embaçamento da visão.

Em quadros leves, o tratamento pode ocorrer apenas com o uso de colírios lubrificantes, vasoconstritores e/ou anti-inflamatórios. Caso a doença avance e interfira na visão do paciente, é necessária a remoção cirúrgica.

8. Ceratocone

Causada por fatores genéticos, trata-se de uma doença degenerativa marcada pela alteração na espessura da córnea, deixando-a com formato cônico, e não com seu formato arredondado usual.

Essa deformação pode causar distorções visuais, como imagens embaçadas e fotofobia, bem como coceira, vermelhidão e lacrimação. Aliás, vale destacar que o ato de coçar os olhos com frequência acaba agravando o quadro e seus sintomas.

O ceratocone é uma condição progressiva e o tratamento consiste em cortar o avanço da doença. Em estágios iniciais, pode ser recomendado apenas o uso de colírios para diminuir os desconfortos visuais. Porém, caso haja prejuízos à visão do paciente, pode ser necessária intervenção cirúrgica e, em quadros mais graves, até mesmo o transplante de córnea.

9. Descolamento da retina

A retina é uma membrana localizada na parte de dentro do globo ocular, responsável por converter as imagens captadas pelos nossos olhos em impulsos elétricos que são enviados ao cérebro através do nervo óptico.

Seu posicionamento é estratégico, pois garante o fornecimento dos nutrientes necessários para que se mantenha saudável. Quando ocorre seu deslocamento, esse processo é interrompido e a retina começa a se debilitar, resultado da degeneração das células da região.
O descolamento da retina pode ser causado por traumas, fatores genéticos, doenças ou envelhecimento natural. Se não for tratado urgentemente, esse quadro pode levar à cegueira.

O principais sintomas são o aparecimento de manchas no campo visual, perda parcial da visão, sensibilidade à luz, flashes repentinos e dificuldade de enxergar com pouca luz. O tratamento é unicamente cirúrgico.

10. Presbiopia

Comum em pessoas com mais de 40 anos de idade, a presbiopia é um problema de visão comum, causado, sobretudo, pelo envelhecimento natural dos olhos. Como resultado, a pessoa passa a apresentar dificuldade em focar em objeto próximos, causando o típico movimento de afastá-los para tentar enxergá-los com nitidez.

A presbiopia é causada pela perda natural e progressiva da capacidade do cristalino em adaptar-se dentro do olho, o que dificulta a focalização de objetos que estejam muito perto. Como consequência, a pessoa pode apresentar sintomas como visão borrada, dores de cabeça e ardência nos olhos.

O tratamento é simples, feito por meio do uso de óculos de leitura com lentes multifocais, que podem ser utilizados somente quando necessário.

Essas são alguns dos principais problemas de visão mais comumente encontrados. Seja qual for o caso, a prevenção é a melhor forma de evitá-los. Para isso, é fundamental marcar consultas de rotina com um oftalmologista frequentemente. Isso facilita o diagnóstico precoce de uma possível doença e ajuda a obter os melhores resultados do tratamento.

Não deixe para depois. Agende agora mesmo uma consulta com nossos especialistas!

Ricardo Filippo
Especialista em Cirurgia Refrativa a Laser e Ceratocone
Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Durante sua vida acadêmica, participou de dezenas de congressos e simpósios, no Brasil e no exterior, e ministrou diversas aulas sobre Oftalmologia. Para mais informações sobre sua experiência na área,
clique aqui.

Posts Relacionados