Mitos e verdades sobre o glaucoma

O glaucoma é uma palavra usada com certa frequência quando falamos em saúde dos olhos. É provável que você já tenha escutado falar sobre a doença ou conheça alguém que sofra com o problema. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que anualmente são registrados 2,4 milhões de novos casos no mundo. Apesar de bastante comentada e do fato de acometer uma quantidade expressiva de pessoas, muitas ainda desconhecem exatamente do que se trata, inclusive, por que existem mitos que envolvem a doença. 

Um dos passos para que haja diagnóstico e tratamento adequados é munir-se de informações e esclarecimentos, bem como conhecer os mitos e verdades sobre o glaucoma. 

Ausência de sintomas atrapalha diagnóstico precoce

Trata-se uma doença ocular caracterizada por alteração do nervo óptico, capaz de acarretar a um dano irreversível das fibras nervosas, havendo perda de campo visual. É apontada uma das principais causas de cegueira no mundo. Vários são os fatores de risco, mas o principal deles é o aumento da pressão ocular. 

Nossos olhos são estruturas sensíveis que nem sempre apresentam sintomas ou alterações quando acometidos por doenças ou síndromes. Assim é com o glaucoma. Inúmeras pessoas convivem com a doença, sem ao menos imaginarem, devido à ausência de sintomas no período inicial da doença. A  melhor forma de prevenção é agendar consultas oftalmológicas rotineiramente, realizando o famoso check-up. A primeira suspeita acontece através da medição da pressão ocular, procedimento realizado durante a consulta. Além disso, recomenda-se o que chamamos de exame de fundo de olho, em que o médico verifica não só a retina, como também o nervo óptico. Lembrando que a ausência de diagnóstico e tratamento correto, pode acarretar perda total ou parcial da visão. Então, é importante não descuidar. 

Mitos e verdades sobre glaucoma 

Como já mencionamos, existem diversos mitos e verdades sobre o glaucoma. Vamos desmistificar alguns deles?

 

  • Ter casos na família aumenta algumas vezes a chance de desenvolver glaucoma: VERDADE. Estudos comprovam que ter familiares com glaucoma, principalmente de primeiro grau, é um fator de risco importante. Se você tem histórico na família, redobre a atenção.

 

A doença não acomete crianças: MITO. É fato que a doença acomete principalmente idosos acima dos 60 anos, mas também pode se manifestar em jovens, crianças e até mesmo recém-nascidos, conhecido como glaucoma congênito. O recém-nascido, portador da doença, apresenta os olhos grandes e muito lacrimejantes.

O risco de sofrer com glaucoma aumenta com a idade: VERDADE. Inclusive a partir dos 40 anos, orienta-se ainda mais atenção. Além disso, quando o paciente começa a usar óculos, não deve comprá-los em bancas nas ruas. A questão não é só enxergar bem, mas detectar possíveis problemas oculares, muitas vezes, graves. 

Se não houver tratamento, o glaucoma pode levar à cegueira: VERDADE. Pode levar, inclusive, à cegueira total. Porém, a partir do diagnóstico e do tratamento correto, a doença pode ser controlada. 

O paciente uma vez tratado estará curado do glaucoma: MITO. O tratamento visa o controle da pressão intraocular para controlar o seu avanço. Podem ser colírios associados a medicamentos ou procedimentos cirúrgicos. Em alguns casos, haverá necessidade de cirurgia quando o tratamento não controla adequadamente a doença. 

 

  • A cirurgia do glaucoma traz de volta a visão perdida: MITO. A cirurgia do glaucoma não reverte as lesões já causadas pela doença, mas controla a pressão ocular para evitar ainda mais o seu avanço. A visão que já foi afetada não tem melhoria a partir da cirurgia.
  • O glaucoma acontece somente quando a pressão ocular se encontra elevada: MITO. Na maioria das vezes, o glaucoma se deve ao aumento da pressão ocular. No entanto, existem casos que mesmo apresentando pressão ocular elevada, não desenvolvem glaucoma, assim como pacientes que manifestam a doença apesar da pressão ocular dentro da normalidade.

 

Glaucoma tem cura: MITO O glaucoma não tem cura, mas pode ser controlado. Por isso a importância do rígido cumprimento do tratamento. 

A única maneira de saber se tenho glaucoma é consultando um médico oftalmologista: VERDADE. Sem exames oftalmológicos, não há como estabelecer um diagnóstico seguro. 

Glaucoma requer tratamento

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) esclarece que existem diversos tipos de glaucoma; a doença pode ser congênita, portanto hereditária, ou pode ser secundária a uma cirurgia, a uma catarata avançada ou até mesmo a traumas. O glaucoma pode ser do tipo agudo, decorrente de um grande aumento da pressão intraocular, levando a uma perda rápida da visão, ou crônico, tipo mais comum que consiste na perda gradual da visão periférica.

Em todos os casos é fundamental que o paciente compreenda a importância de aderir ao tratamento de forma adequada, alerta a CBO. Em relação ao tratamento medicamentoso,  o paciente deve compreender que a aplicação diária do colírio será algo permanente, e que essa rotina não pode ser descumprida de forma alguma. 

A consulta frequente com o médico oftalmologista é indicada tanto para pacientes que já possuem o diagnóstico, para avaliar o grau de evolução da doença e a resposta ao tratamento, quanto aos que buscar prevenir o problema. 

Agende um horário. A Clínica de Oftalmologia Integrada (COI) está à sua disposição!

Ricardo Filippo
Especialista em Cirurgia Refrativa a Laser e Ceratocone
Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Durante sua vida acadêmica, participou de dezenas de congressos e simpósios, no Brasil e no exterior, e ministrou diversas aulas sobre Oftalmologia. Para mais informações sobre sua experiência na área,
clique aqui.