Descubra o que é retina e 4 problemas comuns a que você deve estar atento!

Um dos sentidos mais importantes do organismo é a visão. Saber o que é retina e as doenças que podem afetá-la tem um grande significado para a prevenção de alterações e manutenção da saúde ocular.

O olho é um órgão complexo, com milhões de células fotossensíveis e demanda um terço das atividades cerebrais. Quando ocorre alguma disfunção na retina, nossas atividades diárias podem ficar comprometidas.

Nesse sentido, elaboramos este artigo para abordar as funções da retina e algumas das principais doenças que podem afetar o seu bom funcionamento, bem como a adoção de atitudes para ajudar a preveni-las. Continue lendo para saber mais!

O que é retina?

A retina é uma membrana localizada na parte de trás dos olhos, que tem função de transformar o estímulo luminoso em estímulo nervoso. A retina continua-se através do nervo óptico, para levar os impulsos elétricos até o cérebro.

É constituída por 10 camadas, entre as quais, destacam-se o epitélio pigmentar da retina (camada mais externa) e a camada sensorial, constituída por fotorreceptores. Cada uma das suas estruturas possui funções específicas, como:

  • células fotorreceptoras — transformam raios de luz em impulsos nervosos;
  • células do epitélio pigmentar  (EPR) — criam uma barreira entre a coroide (camada de vasos sanguíneos) e a camada externa da retina, nutrem as células fotorreceptoras e processam resíduos;
  • membrana de Bruch — promove a passagem de nutrientes e produtos excretados entre a coroide e o epitélio pigmentário.

Como a retina funciona?

Para entender melhor como enxergamos, podemos comparar todo o processo envolvido ao funcionamento de uma câmera fotográfica. A retina funciona como um filme fotográfico, já a córnea e o cristalino, como as lentes.

A entrada da luminosidade é regulada pela pupila, como ocorre com o diafragma de uma câmera — ela se fecha com a presença de muita luz e abre (dilata) no escuro. Todo esse processo é regulado pela íris, um tecido muscular.

A córnea e o cristalino concentram os raios de luz e os enviam à retina, localizada no fundo do olho.

No centro da retina, encontra-se a mácula com mais de 100 milhões de fotorreceptores que convertem a luz em impulsos elétricos e os envia ao cérebro. As cores são detectadas por cones enquanto que os bastonetes nos auxiliam a enxergar em ambientes mais escuros.

Todas as informações quanto à cor, forma e distância de objetos em relação ao corpo são transportadas pelo nervo óptico até o cérebro e traduzidas pelo córtex, que cria uma imagem em nossa mente.

Quais as doenças mais comuns que afetam a retina?

A retina pode apresentar diferentes doenças. A seguir, vamos comentar sobre 5 das principais doenças da retina que ocorrem com maior frequência. Acompanhe!

1. Deslocamento de retina

A retina fica acomodada na parte interna do globo ocular, como um tecido que o reveste pela porção interna. Quando há um deslocamento, significa que uma parte ou toda a membrana se desprendeu da parede ocular.

O sintoma mais comum é a percepção de manchas escuras, flashes luminosos, sombras no campo da visão e até uma perda de visão repentina. Essa alteração pode ocorrer por rupturas ou pressões causadas por doenças, lesões oculares ou no crânio, degeneração por idade ou infecções.

O deslocamento também pode provocar o buraco macular, doença que atinge o centro da mácula e causa perda gradual da visão. Pessoas acima de 40 anos têm maior probabilidade de desenvolver essa alteração.

Nem sempre a ruptura da retina gera um descolamento. Uma intervenção com laser pode impedir que o problema se agrave. Porém, quando ocorre o descolamento, o tratamento é cirúrgico e em caráter de urgência.

2. Degenerações periféricas

Ocorrem quando há um refinamento na região periférica da membrana. Podem provocar rupturas ou rasgos retinianos e são mais frequentes em pessoas que apresentam miopia.

As degenerações podem não apresentar nenhum sintoma e serem descobertas apenas em exames de mapeamento da retina. Entretanto, em alguns casos, podem provocar percepção de moscas volantes ou flashes de brilho.

As lesões devem ser acompanhadas periodicamente por um especialista em retina — o retinólogo. O tratamento pode ser realizado por meio de fotocoagulação a laser.

3. Degeneração macular

A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) afeta a visão central. É a principal causa de perda irreversível da visão em pessoas com mais de 60 anos.

Ocorre progressivamente, podendo passar despercebida por anos. As degenerações podem ser:

  • seca (atrófica)  — mais comum e provocada pelo envelhecimento dos tecidos;
  • úmida (exsudativa) —  forma mais agressiva que ocorre em 10% dos casos.

No início os sintomas são imperceptíveis, podendo ocorrer em apenas um dos olhos e são caracterizados por percepção de manchas escuras, distorção de linhas retas (metamorfopsia), opacidade de cores e necessidade de luz mais forte para leitura.

O diagnóstico é feito através do mapeamento da retina. Algumas vezes, outros exames podem ser necessários, como angiografia fluorescente e a tomografia de coerência óptica.

A degeneração não tem cura e o tratamento age apenas como prevenção ou impedimento da progressão.

Para a degeneração macular seca são utilizados suplementos e antioxidantes. Para a degeneração úmida, são aplicados medicamentos antiangiogênicos via intra-ocular, que pode reduzir a perda visual em 50%.

Há também a prescrição de auxílios ópticos e os tratamentos experimentais com estatinas — grupo de medicamentos utilizados para o controle do colesterol.

4. Retinopatia diabética

É uma alteração nos vasos sanguíneos da retina provocada por alta concentração de glicose no organismo, sendo uma das principais causas de cegueira em indivíduos entre 20-74 anos.

Outros fatores relacionados à doença são o tabagismo, o colesterol alto e a hipertensão. A retinopatia diabética pode ser não proliferativa (estágio inicial) e proliferativa (estágio mais avançado).

Por não apresentar sintomas no início, pode ser descoberta em uma fase mais avançada, quando os sintomas se apresentam com percepção de manchas na visão, perda da visão periférica ou central, visão distorcida e turva.

Diagnóstico e tratamento

Para diagnóstico são efetuados exames de fundo de olho (fundoscopia), angiofluoresceinografia e tomografia de coerência óptica para detectar possíveis alterações.

A doença não tem cura, mas se descoberta na fase inicial, com tratamento correto,  é possível reduzir a perda da visão.

Os tratamentos mais utilizados são a  fotocoagulação com o laser, medicamentos de uso intra-ocular, bem como a vitrectomia, cirurgia para os casos avançados.

É possível evitar disfunções na retina?

Como em qualquer doença, podemos contribuir para evitar alterações na retina. Para tanto, são necessárias algumas atitudes, como manter uma alimentação saudável, fazer exercícios regularmente, proteger os olhos e efetuar consultas periódicas com um médico especialista.

Proteger os olhos dos raios solares com óculos escuros que tenham lentes de boa qualidade é imprescindível para a saúde ocular. A exposição sem esse cuidado pode provocar diversos problemas como lesão na córnea e até mesmo a degeneração macular.

Os exames oftalmológicos são de fundamental importância para a prevenção e tratamento de possíveis doenças oculares. É importante observar que os fatores de risco como hipertensão, diabetes, predisposição genética e tabagismo são relevantes para o surgimento de algumas doenças retinianas.

Como vimos, várias doenças podem acometer a membrana retiniana. Nesse sentido, é importante saber o que é retina e as causas das alterações, para preveni-las. Para tanto, é de fundamental importância adotar uma vida saudável e fazer exames oftalmológicos regularmente, consultando um bom oftalmologista.

Este artigo foi útil para esclarecer as suas dúvidas quanto aos problemas na retina? Então, compartilhe essas informações nas redes sociais para que mais pessoas saibam o que pode ser feito para evitar essas alterações!

 

Ricardo Filippo
Especialista em Cirurgia Refrativa a Laser e Ceratocone
Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Durante sua vida acadêmica, participou de dezenas de congressos e simpósios, no Brasil e no exterior, e ministrou diversas aulas sobre Oftalmologia. Para mais informações sobre sua experiência na área,
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