Injeção intravítrea para doenças da retina: o que você precisa saber

Conheça o procedimento que revolucionou o tratamento oftalmológico e tem salvado a visão de milhares de pacientes

Com a evolução da medicina, muitas doenças passaram a ter excelentes tratamentos. Um deles é a injeção intravítrea, usada para tratar uma série de doenças da retina.

Ela faz parte de medidas que surgiram para revolucionar a oftalmologia e contribuir para a redução de problemas severos. Saiba mais sobre ela e descubra por que ela é eficaz no combate de doenças oculares.

O que é injeção intravítrea?

Uma injeção intravítrea diz respeito a um procedimento oftalmológico que consiste na aplicação de substâncias medicamentosas na cavidade vítrea. Sua fórmula conta com antiangiogênicos ou anti-VEGF, remédios responsáveis pela neovascularização.

Em outras palavras, a injeção intravítrea age no mecanismo responsável pelo crescimento de vasos sanguíneos localizados na região sub retiniana, sobretudo quando há falta de oxigênio no local.

Como o anti-VEGF interrompe a formação de neovasos?

As substâncias formadas pelos anti-VEGF atuam como anticorpos humanizados que neutralizam a proliferação endotelial vascular.

Por essa razão, o medicamento deve ser injetado dentro do vítreo, região do olho situada na parte interna e superior.

Ela é preenchida por um componente gelatinoso e transparente. Com injeção intravítrea, é possível obter resultados mais rápidos e melhores, uma vez que a substância vai diretamente para a região certa.

Quando a injeção intravítrea é recomendada?

Antes de falarmos as doenças que podem ser tratadas pela injeção intravítrea, é importante que você saiba que a retina é o revestimento da parede posterior do nosso globo ocular.

Ela é formada por muitas camadas de neurônios e é responsável por receber as imagens visuais e transferi-las para o cérebro. Com isso, é possível compreender a importância do seu bom funcionamento para o organismo.

A injeção intravítrea é recomendada quando há a formação de vasos sanguíneos anômalos, ou seja, vasos que apresentam qualidade ruim. Geralmente, isso ocorre em casos de Retinopatia Diabética, Tromboses e Glaucomas de causa vascular.

 A Degeneração Macular por causa da idade também é uma das doenças que podem ser tratadas com injeção intravítrea. A aplicação periódica do medicamento reduz o borrão e a mancha escura, queixas comuns de pacientes acometidos por doenças intraoculares.

A seguir, você conhecerá de forma mais detalhada quais são as doenças de retina tratáveis com injeção intravítrea.

  • Degeneração Macular Relacionada à Idade: Pode levar à cegueira, mas é possível ser revertida com a injeção. Nesse caso, alguns componentes como o Bevacizumab e o Ranibizumab, substâncias antiangiogênicas, apresentam resultados satisfatórios.
  • Edema Macular Difuso: Pessoas que sofrem com Edema Macular Difuso Diabético ou não (líquido no interior da retina) podem ter uma grande melhora visual e uma forte redução da espessura macular, por meio da aplicação de Bevacizumab.
  • Descolamento da Retina: Quando há o Descolamento da Retina Seroso (separação da retina sensorial do epitélio da retina por líquido), é possível fechar os rompimentos e aliviar o descolamento vítreo-retiniano via injeção intravítrea.
  • Retinopatia Hipertensiva: Alterações vasculares e endoteliais com aumento da tortuosidade também podem ser tratadas com a injeção. Para o tratamento, é recomendada uma fotocoagulação a laser e aplicação de Avastin.
  • Retinopatia Diabética: A segunda maior causa de cegueira também pode ser tratada com injeção intravítrea.  Nesse caso, são usados corticosteróides e anti angiogênicos. O tratamento também depende do controle da taxa de açúcar, o que retarda a progressão da doença.

Como é feita a aplicação de injeção intravítrea

O procedimento acontece com anestesia local, realizada por meio de aplicação de colírios específicos para esse fim. Para a realização da cirurgia, é necessário jejum de 2 horas.

O paciente precisa chegar com 30 minutos de antecedência. Esse tempo é dedicado ao preparatório, que conta com protocolos de assepsia e instruções necessárias. Depois, é aplicado o colírio anestésico (pingado por meio de conta-gotas, totalmente indolor).

A injeção intravítrea é aplicada alguns minutos depois do anestésico. As medicações mais utilizadas são a Ranibizumabe (Lucentis), Aflibercept (Eylea) e Bevacizumabe (Avastin).

O procedimento dura, aproximadamente, 5 minutos e não causa dor, incômodo ou desconforto. Assim que terminar, o paciente vai para a casa normalmente e deve seguir os cuidados do pós-operatório indicados pelo oftalmologista.

As atividades podem ser retomadas no dia seguinte. No entanto, é aconselhável que a pessoa retome a prática de exercícios intensos após o período determinado pelo médico oftalmologista.

Vale ressaltar que a técnica de injeção intravítrea é única, o que muda é somente o tipo de medicação administrada. Em outras palavras, a substância injetada depende do tipo de doença e do protocolo mais adequado para seu tratamento.

imagem ampliada de médico aplicando injecao intravítrea em mulher usando touca

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Pode haver complicações durante ou depois a aplicação da injeção intravítrea?

Na maioria dos casos, a injeção intravítrea não causa nenhum efeito colateral relacionado a dor ou desconforto. No entanto, são raros os casos de pacientes que podem notar pequenas manchas de sangue perto do local do procedimento.

Isso não é motivo para preocupação e o próprio médico oftalmologista mencionará que, caso apareçam manchas desse tipo, elas desaparecerão sozinhas em poucos dias. De qualquer modo, é importante que você informe caso sinta dor ou algum desconforto.

Que cuidados devo tomar depois da injeção intravítrea?

Siga as orientações do médico a respeito da retomada das atividades do trabalho e estudos. Como já dissemos, informe ao profissional sobre o exercício que você pratique e só retome os treinos depois do período determinado por ele.

Caso seja necessário aplicar colírios, fique atento aos horários e dias prescritos pelo médico. Em caso de dores, inflamações, entre outros sintomas, não se automedique. Informe o médico oftalmologista para que ele avalie e prescreva o melhor tratamento.

Retorne ao consultório no período indicado para que o oftalmologista faça a avaliação e acompanhe o pós-cirúrgico.

Lembre-se de ficar sempre atento à saúde dos seus olhos. Há muitas doenças, como as mencionadas neste artigo, que têm cura se descobertas a tempo. Reforce os hábitos saudáveis, alimente-se bem, pratique exercícios físicos e jamais coce os olhos.

Como você notou, a injeção intravítrea é um avanço na medicina oftalmológica. Ela é indolor, de fácil aplicação e apresenta resultados eficazes e seguros. Vale dizer que somente profissional habilitado poderá prescrever e realizar o tratamento.

Conte com a equipe médica oftalmológica da Clínica de Oftalmologia Integrada para prevenir e tratar doenças na retina. Estamos à sua disposição para oferecer os melhores atendimentos e tratamentos.

Rafael Cerqueira
Especialista em vítreo e retina clínica e cirúrgica
Graduado em Medicina pela Universidade José do Rosário Vellano-UNIFENAS-Alfenas-MG.
Durante sua vida acadêmica, participou de dezenas de congressos e simpósios, no Brasil e no exterior, e ministrou diversas aulas sobre Oftalmologia. Para mais informações sobre sua experiência na área,
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