Trombose ocular: o que é, quais os sintomas e como tratar?

Trombose ocular é uma disfunção que ocorre na retina e se constitui uma das causas mais frequentes de cegueira no mundo todo, pois provoca hemorragia, isquemia (interrupção da irrigação sanguínea) e inflamação.

A retina é um tecido fino, muito vascularizado, localizado no fundo do olho, constituído por um conjunto de células fotossensíveis que têm função de captar a luz e transformá-la em sinais elétricos, enviando-os ao cérebro, onde a visão será processada.

Os principais fatores que podem desencadeá-la são o diabetes, a hipertensão arterial, o glaucoma, o colesterol alto,o tabagismo e a anemia. Como se tratam de condições de saúde bastante comuns, é essencial manter-se bem informado sobre a doença.

Neste post, vamos esclarecer as principais dúvidas sobre trombose ocular para que você saiba como identificar a doença. Confira!

Identificação da trombose ocular

Trombose ocular é a formação de um coágulo (trombo) que bloqueia a circulação do sangue na retina, por obstruir sua veia central ou um de seus ramos. Acontece quando a obstrução impede o retorno do sangue para a circulação corporal.

Por ser provocada pela formação de um trombo (coágulo) no interior da veia, pode ser chamada de trombose venosa retiniana. A coagulação intravenosa pode causar edema e hemorragias, pois o fluxo sanguíneo é bloqueado e o sangue não pode ser drenado e acaba por se extravasar no tecido da retina.

Se a condição não for identificada, pode evoluir e causar isquemia, com consequente formação de novos vasos e glaucoma secundário (chamado de glaucoma neovascular). Em casos mais graves, a doença pode provocar descolamento da retina e hemorragia vítrea.

Sintomas

De forma geral, o paciente que apresenta trombose ocular percebe uma piora da visão em um dos olhos. No caso de oclusão de ramo venoso, existe uma alteração pequena da visão ou defeito no campo visual. Além disso, o paciente não sente dor e não fica com os olhos vermelhos. Os principais sintomas são:

  • perda gradativa da visão;
  • visão embaçada;
  • problemas no campo visual;
  • manchas na visão.

Os sintomas ocorrem quando a região central da retina é afetada ou ocorre o desenvolvimento de neovasos (novos vasos sanguíneos anormais extremamente frágeis), que provocam hemorragias na cavidade vítrea.

O entupimento da veia central da retina causa a perda súbita da visão, e se ele for em um dos seus ramos, provoca uma mancha escura no campo visual. Caso você perceba qualquer um desses sintomas, procure consultar um oftalmologista imediatamente.

Espécies de oclusão venosa retiniana

A trombose ocular pode ser classificada em forma não isquêmica e isquêmica, conforme as consequências provocadas pela falta de oxigenação do tecido. A forma isquêmica é relacionada a um prognóstico pior da visão em longo prazo, porque o paciente pode evoluir com neovascularização e edema.

Confira, a seguir, os tipos de trombose e como eles ocorrem.

Oclusão da veia central da retina (OVCR)

Esse problema ocorre tanto em mulheres quanto em homens, especialmente após a sexta década de vida. Em geral, ele aparece em apenas um olho, além de acometer todos os quadrantes da retina.

Os principais precedentes são hipertensão, diabetes, inflamações dos vasos sanguíneos e patologias do sangue. Algumas doenças dos olhos podem predispor à OVCR, como hipermetropia e glaucoma.

A formação do trombo, no interior da veia central da retina, impede a drenagem do sangue retiniano. A lesão dos vasos e o aumento da rigidez das artérias, com o avançar da idade, podem comprometer a circulação nos olhos e causar um coágulo.

Oclusão de ramo da veia central da retina (ORVR)

A ORVR acontece de maneira bastante similar à OVCR. No entanto, esse problema é causado por uma obstrução localizada em apenas um segmento e, geralmente, de menor gravidade, já que uma parte do fluxo sanguíneo ainda é preservado.

Nesse caso, a pessoa apresenta uma redução do campo visual ou visão borrada. Ademais, ocorrem hemorragias intrarretinianas que aumentam com a evolução da doença.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por meio do exame de fundo de olho ou mapeamento de retina. O oftalmologista consegue observar extravasamento de líquido e hemorragias, além do aumento da tortuosidade venosa, por meio do exame de mapeamento de retina.

Recomenda-se que seja realizado pelo médico especialista em retina, como o retinólogo. Esse profissional é o responsável por avaliar e tratar doenças da retina, como a retinopatia diabética.

Assim, o profissional examina o paciente com as pupilas dilatadas e solicita alguns exames, como mapeamento e tomografia de coerência óptica, que determinam se a pessoa tem edema de mácula e se a doença é isquêmica ou não.

O mapeamento de retina é um exame adicional para a saúde visual, que não é feito rotineiramente pelo oftalmologista. Se trata de um procedimento que pode avaliar o fundo do olho e as suas estruturas.

Já na tomografia de coerência óptica se pode visualizar a retina e o nervo óptico tridimensionalmente. O exame é solicitado quando o mapeamento de retina não é suficiente para estabelecer o diagnóstico da trombose ocular.

Tratamento de trombose ocular

A identificação da causa faz parte do tratamento, que se inicia a partir da tentativa de identificar alguma doença que possa ter provocado a trombose, como hipertensão arterial, por exemplo. Assim, é essencial tratar o problema para diminuir as chances de uma nova oclusão ou que o outro olho seja afetado. Os principais tratamentos específicos são:

  • injeção intraocular de medicação, com fármacos antiangiogênicos que podem impedir a formação de neovasos, ou com corticoides, para reduzir processo de inflamação;
  • fotocoagulação a laser, uma técnica que trata diferentes doenças da retina. O laser é usado no tratamento das áreas de isquemia;
  • cirurgia indicada em casos mais graves e quando existe hemorragia na cavidade vítrea.

Como se viu, a trombose ocular é um problema que pode afetar muitas pessoas, principalmente as que sofrem de diabetes, glaucoma, colesterol alto e hipertensão. Por isso, a prevenção e a consulta a um oftalmologista são essenciais, pois esse profissional poderá identificar os sintomas e indicar o melhor tratamento para a doença.

Gostou deste conteúdo e quer saber mais sobre a saúde de seus olhos? Então confira o nosso post sobre Injeção intravítrea para doenças da retina: o que você precisa saber!

Rafael Cerqueira
Especialista em vítreo e retina clínica e cirúrgica
Graduado em Medicina pela Universidade José do Rosário Vellano-UNIFENAS-Alfenas-MG.
Durante sua vida acadêmica, participou de dezenas de congressos e simpósios, no Brasil e no exterior, e ministrou diversas aulas sobre Oftalmologia. Para mais informações sobre sua experiência na área,
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